Projecto Educativo
I - Meio Envolvente 1 - A Escola Profissional do Infante é uma instituição de natureza privada, prossegue fins de interesse público, desenvolve as suas actividades culturais, científicas, tecnológicas e pedagógicas de forma autónoma e sem limitações, para além das decorrentes da lei. Situa-se em Vila Nova de Gaia, o quarto concelho do país em termos de população residente. Aglutinando vinte e quatro freguesias, pode afirmar-se que as suas características fundamentais, em termos de tecido económico, passam por: - uma notória desertificação do mundo rural; - um desenvolvimento forte da indústria metalomecânica pesada; - um notável investimento no domínio do comércio e serviços; - um sector da construção civil em permanente e franca expansão.
Pode dizer-se que, também, neste concelho, se verificam as condicionantes do desenvolvimento das grandes zonas económicas, em termos de crescimento acelerado do sector terciário, em detrimento do primário e já, também, do secundário.
2 - Inserida na área metropolitana do Porto, a Escola Profissional do Infante procura sempre formular a leitura atenta e actualizada da marcha do tecido económico que nesta região se situa, para melhor poder aferir da oferta de formação que ministra e da sua adequabilidade às necessidades sentidas pelo meio empresarial envolvente e pelas instituições locais. Para melhor corresponder ao objectivo acabado de referir, a Escola Profissional do Infante criou um Conselho Consultivo, integrando empresários da região, cujos principais objectivos passam pela reflexão sobre estágios, empregabilidade, adequabilidade dos perfis de formação, face às necessidades sentidas pelas empresas, e, ainda, pela participação dos empresários em debates com alunos.
3 - A Escola Profissional do Infante está dotada de estatutos , que prevêem os seguintes órgãos: Direcção Direcção Técnico-Pedagógica Conselho de Turma Conselho de Turma Disciplinar Conselho Consultivo 3.1 - Os estatutos acima referidos, tendo em atenção as atribuições da Escola, enumeram exaustivamente as competências de cada um daqueles órgãos.
II - DESTINATÁRIOS 1 - Podem ingressar na Escola Profissional do Infante os jovens que, tendo concluído o 9º ano de escolaridade, não tenham mais de 18 anos de idade, em 01 de Setembro do ano da matrícula.
São condições de preferência: - a opção pela inserção no mercado de trabalho, no termo do curso; - um melhor percurso escolar; - a idade; - o local de residência.
Sem prejuízo do prosseguimento dos estudos, direito fundamental de qualquer cidadão, a Escola Profissional do Infante pretende, sobretudo, contribuir para a empregabilidade dos jovens que frequentam os seus cursos, fornecendo-lhes ensinamentos teóricos, práticos e estágios, assim prosseguindo o objectivo fundamental que presidiu à sua criação. A Escola Profissional do Infante está consciente de que há uma notória carência de quadros médios qualificados - nível III U.E. É na formação destes jovens quadros que a Escola aposta, segura de que toda a formação visa satisfazer as necessidades do tecido empresarial.
2 - Os jovens que procuram a Escola Profissional do Infante excedem em muito, e ano após ano, em maior número, as vagas existentes em cada novo ano. Há a consciência crescente da importância desta via de ensino. Porém, a Escola terá de ser cautelosa, pois não pode abrir muito mais as suas portas, sob pena de poder formar quadros técnicos que excedam a capacidade de absorção do meio empresarial. A selecção tenderá, por isso, a ser cada vez mais exigente e apertada.
III - CURSOS 1 - A Escola Profissional do Infante oferece os seguintes cursos: - Técnico de Comunicação/Marketing, Relações Públicas e Publicidade; - Técnico de Turismo; - Técnico de Informática de Gestão; - Animador Sociocultural.
Todos estes cursos têm um desenvolvimento curricular perfeitamente ajustado aos objectivos que prosseguem e aos perfis de formação. Todos têm a duração de três anos e conferem equivalência ao 12º ano.
2 - Para todos os cursos está garantido estágio curricular numa empresa da área.
3 - O plano curricular de cada curso é o que se encontra legalmente definido por portarias do Ministério da Educação.
IV - SISTEMA DE AVALIAÇÃO 1 - Além de avaliar conhecimentos, pretende-se, essencialmente, despertar apetências e desenvolver capacidades e aptidões. A avalição é contínua e processa-se segundo duas modalidades - formativa, com carárter sistemático, e sumativa. A avaliação sumativa tem em conta a lógica modular adoptada na escola.
2 - A Escola Profissional do Infante procura fomentar os valores da pontualidade e da assiduidade, fundamentais para todos aqueles que rapidamente se vão inserir no mercado de trabalho.
3 - O sistema modular pressupõe e fomenta uma interacção viva entre professor e aluno. Nesse sentido, os alunos têm participação activa nos momentos formais de avaliação. Intervêm com cada professor e em cada módulo, procedendo à auto-avaliação, e nos três conselhos de turma que se realizam ao longo de cada ano lectivo, através do delegado de turma, que neles participa.
V - PAP Desde o início que os alunos são esclarecidos, quanto à obrigatoriedade da realização de um projecto de trabalho, de natureza interdisciplinar, de carácter eminentemente prático. Após a conclusão de dois terços da parte curricular, o aluno é mais sensibilizado para o cumprimento das regras, nomeadamente temporais, que permitam a feitura da Prova de Aptidão Profissional (PAP) em tempo útil. A apresentação formal da PAP deve ser um momento alto na vida da comunidade escolar, representando para os elementos do júri ligados ao meio empresarial o potencial de cada aluno, o que pode, desde logo, marcar o seu futuro profissional.
VI - ESTÁGIOS A Escola Profissional do Infante garante o estágio incluído no plano curricular de todos os seus cursos. Está a Escola consciente de que o contacto com o mundo laboral numa fase prévia à inserção definitiva na vida activa é fundamental para que os alunos possam pôr em prática os seus conhecimentos e melhor se adaptem às regras das empresas. Envidará, por isso, todos os esforços para que esta componente seja valorizada, até porque, principalmente no caso de alunos com mais competências, o estágio poderá ser a porta de entrada para o seu futuro e primeiro emprego
VII - PROFESSORES 1 - A Escola Profissional do Infante norteia-se, na selecção dos docentes da área tecnológica, na busca daqueles que tenham experiência empresarial na área que vão leccionar. Assim, melhor se cruza a experiência prática com a vertente profissional dos cursos. Faz parte do projecto educativo desta Escola essa ligação forte, desde o primeiro dia de aulas, a docentes que, sendo profissionais com preparação teórica, melhor "elucidarão" os nossos alunos quanto às "exigências" do meio empresarial. Na área sócio-cultural, pela natureza das coisas, essa preocupação não existe. Exige-se, no entanto, que todos os professores sejam licenciados.
2 - Pretende-se que os professores tenham a maior disponibilidade possível para melhor corresponderem às solicitações dos alunos. Busca-se neles o exemplo da pontualidade e assiduidade, valores considerados fundamentais para todos aqueles, e deverão ser muitos, que, num prazo curto, entram na vida activa. A Escola Profissional do Infante não esquece que é difícil conciliar tudo isto com docentes da área empresarial que deverá ser a grande maioria. Daí alguma flexibilidade do sistema.
VIII - CONSELHO CONSULTIVO A envolvência de empresários na vida activa escolar, através da sua integração no Conselho Consultivo, é uma tónica prioritária na estratégia da actuação da Escola Profissional do Infante. Nada mais lógico que solicitar a participação de empresários representativos dos diversos sectores para reuniões periódicas, onde se discuta a formação, se estabeleçam parcerias de colaboração, em termos de discência, de estágios, de visitas de estudo. Está a Escola Profissional do Infante convencida que por aqui passa um dos principais polos de desenvolvimento do seu projecto educativo. Consideramos ainda de muito interesse a colaboração privilegiada com a Câmara Municipal, bem como com diversas associações e instituições, nomeadamente a Associação das Mulheres Empresárias, a Associação dos Jovens Empresários, a Associação Comercial e Industrial de Vila Nova de Gaia e a Fundação da Juventude.
IX - PAINÉIS-DEBATE, COLÓQUIOS E CONFERÊNCIAS A vida na Escola Profissional do Infante não se deve confinar às actividades lectivas. Daí que os órgãos competentes estejam sempre abertos a iniciativas que potenciem uma formação mais sólida. Quando a iniciativa não surgir, a Direcção Técnico-Pedagógica ou a Direcção incumbir-se-ão da organização de colóquios, conferências ou painéis-debate, com a colaboração de especialistas nas áreas abrangidas e de empresários ligados ao sector. Por aqui passa a inovação e renovação dos saberes, alicerces fundamentais do saber-fazer e do saber-estar. Também o dinamismo, organização, entusiasmo e realização, valores importantes a estimular, devem encontrar, a este nível, um dos seus esteios mais importantes.
X - VISITAS DE ESTUDO Desde a semana de integração - primeira semana de aulas dos alunos do 1º ano - que os nossos jovens adquirem a cultura da visita de estudo, do companheirismo, do grupo e da ligação forte aos professores acompanhantes. A Escola Profissional do Infante não vive em torno de si própria, mas vocacionada para o exterior. As visitas de estudo, devidamente estruturadas, devem fazer parte do arsenal de meios ao dispor dos alunos para que adquiram uma formação mais sólida. Os planos de actividades, elaborados no início de cada ano escolar, devem reflectir, na medida do possível, esta realidade. A visita de estudo deve ser um meio prático, quase insubstituível, de aquisição de conhecimentos. Claro que não podemos dizer que o lúdico nunca pode ter lugar. O que se julga é que essa vertente é apendicular, acessória do fundamental. Assim, se testa o interesse dos alunos, se fomenta a experiência cultural, se motiva o aluno a conhecer outros meios.
XI - A ESCOLA - SISTEMA ABERTO 1 - Sem perder de vista os seus alicerces estruturantes, a Escola Profissional do Infante considera que só tem a ganhar com a institucionalização dum sistema aberto. Na verdade, não sendo ninguém portador de verdades absolutas, há que receber os contributos que possam vir dos mais diversos quadrantes, o que só se consegue com a abertura. Alunos, professores, encarregados de educação, empresários, associações, autarquias são fundamentais para garantir a vivacidade do projecto. A Escola é uma realidade em transformação constante. A melhoria do sistema passa pela desejável intervenção de todos.
2 - Mas há outra vertente da abertura que a Escola Profissional do Infante deve fomentar: as festas dos finalistas, a recepção ao caloiro, a festa de Natal. Estes, entre outros, serão momentos de convívio, de alegria, de amizade, com convidados ou não, mas que contribuirão para garantir também a abertura do sistema e fomentar o espírito de unidade.
XII - HUMANIZAÇÃO DO SISTEMA O projecto educativo da Escola Profissional do Infante deve desenvolver-se dentro do espírito duma constante cooperação, numa perspectiva de formação globalizante, onde a vertente humanista deve predominar. O aluno não é mais um elemento que faz parte do aparelho global; o aluno não é o alvo, o destinatário, mas o sujeito em função do qual a Escola existe, devendo tratar do aluno personalizadamente, auxiliando-o a resolver problemas, aconselhando-o, contribuindo não apenas para a formação do profissional qualificado, mas também do cidadão consciente, do homem responsável. É fundamental criar a "cultura" da Escola Profissional do Infante, de forma a que formandos, formadores e demais colaboradores possam dizer, com sinceridade e orgulho, que pertencem a esta comunidade escolar.
XIII - ALUNO: CIDADÃO E DECISOR Todo o projecto aparece enfocado no aluno, estimulando-o a participar em decisões que envolvem diversos aspectos da vida escolar e responsabilizando-o por isso. As grandes decisões devem ser partilhadas, pressupondo pequenas decisões. Não se deve falar de um sistema impositivo de normas, mas num ordenamento querido e assumido por todos. Afirmar estes fundamentais valores democráticos e executá-los é de primordial importância já que, também aqui, o saber deve ser de experiência feito.
XIV - REUNIÕES 1 - Na vida social e empresarial, as reuniões assumem um papel crucial. Pela via institucional e pela via informal, devemos, por isso, levar os nossos alunos a participar nelas. A Direcção reunirá periodicamente com os alunos das diferentes turmas para discutir propostas de soluções que possam melhorar o funcionamento da Escola. Afinal, é isso que todos pretendemos.
2 - O diálogo com os Encarregados de Educação é fundamental para estreitar os laços escola/família e estabelecer uma colaboração mútua, que convém aprofundar. Nesse sentido, e além do dia semanal indicado pelos Orientadores Educativos para receberem os Encarregados de Educação, estes serão convocados para reuniões gerais.
IDEIAS-SÍNTESE DO PROJECTO EDUCATIVO Apontando para a criação de empresas de treino específicas, com relações comerciais fictícias, onde os alunos possam testar alguns conhecimentos, a Escola Profissional do Infante pretende fomentar o intercâmbio com outras Escolas Profissionais com cursos idênticos, assim se afinando diferenças e estabelecendo colaborações possíveis.
1 - A estratégica global ou projecto educativo da Escola Profissional do Infante passa por: - diagnosticar as necessidades do meio empresarial envolvente; - aferir das outras formações; - apontar concretamente as saídas profissionais dos seus cursos; - acordar estágios; - estabelecer parcerias; - desenvolver a bolsa de emprego.
2 - A Escola Profissional do Infante procura: - integrar todo o processo no desenvolvimento local e regional; - criar quadros qualificados, no contexto integrado da União Europeia, dotando o tecido empresarial de quadros médios qualificados; - desenvolver no aluno competências viradas para o saber-fazer; - fomentar a cooperação.
3 - A Escola Profissional do Infante pretende, no fundo, um profissional humano, competente e que se adeque ao perfil exigido pelo mundo empresarial. Daí: - os estágios; - as aulas leccionadas por professores ligados ao mundo empresarial; - os colóquios e painéis-debate; - a vinda de empresários à Escola; - o Conselho Consultivo.
4 - Está a Escola vivamente empenhada num trabalho sério e válido, dia a dia repensado e constantemente renovado, que dignifique e promova todos quantos no projecto estão envolvidos, nomeadamente os alunos a quem a vida, por certo, muito irá exigir. Prepará-los para a vida é precisamente o objectivo essencial, que, por certo, há-de ser atingido, se conseguirmos dos professores uma maior e franca disponibilidade, um ensino mais personalizado e dinâmico e um total empenhamento dos alunos. Este Projecto Educativo da Escola Profissional do Infante pretende ser o instrumento aglutinador de todos estes anseios e aspirações e o suporte do sucesso dos seus alunos por que teremos de nos bater e que havemos de conseguir.
XV - DISPOSIÇÕES FINAIS O Projecto Educativo foi elaborado com base na legislação em vigor, sendo aprovado pela Direcção, para um horizonte temporal de três anos e aberto à sua reformulação e revisão, sempre que seja necessário. Será divulgado por todos os agentes da comunidade escolar. É um projecto aberto a todas as opiniões e inovações.
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